Pandemia da ansiedade e depressão - Marcio Atalla

Pandemia da ansiedade e depressão

A pandemia da Covid-19 fez explodir os casos de ansiedade e depressão

Por: Equipe Marcio Atalla


Pandemia da ansiedade e depressão

A pandemia da Covid-19 deixou até agora mais de 600 mil mortos no Brasil, fora outros milhares com sequelas desta doença terrível que se abateu sobre o mundo desde o início de  2020. Mas as mortes e as sequelas físicas não são o único, embora gigantesco, problema que o coronavirus trouxe. Pesquisas  mostram que a saúde mental também vai muito mal nessa época de pandemia. Os casos de ansiedade e depressão cresceram de forma assustadora. Segundo um estudo publicado na tradicional revista científica The Lancet, no Reino Unido, ocorreram mais de 76 milhões de novos casos de ansiedade e cerca de 53 milhões de casos de depressão em todo o mundo desde o início da pandemia.

E como vai o Brasil  neste contexto? Nada bem, infelizmente. O país já ostentava o triste título de o ‘‘mais ansioso do mundo’’ tal a quantidade casos e também é o campeão de pacientes com depressão em toda a América Latina, o que em números chegaria a cerca de 12 milhões de pessoas, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS)

E com a  pandemia, a situação só piorou. Dados da  Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) revelam  um aumento de 90% nos casos de depressão. Outro estudo, este da  Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), mostra que cresceu em  80% o número de casos de ansiedade e estresse entre os brasileiros. Entre os grupos mais afetados estão as mulheres e os jovens.

Neste contexto, aumentou também a prática de hábitos nada saudáveis ,como:

.Consumo de álcool

.Tabagismo

.Ingestão de comida ultraprocessada 

E diminuiu  realização de atividades que geram mais qualidade de vida, tais como:

.Exercícios físicos

.Alimentação de qualidade

.Sono restaurador

 

Mas neste contexto, a boa dica é que a prática de exercícios físicos de forma regular pode ajudar a combater os sintomas e prevenir estas doenças.

Isolamento e ansiedade

Um dos grandes  motivos para essa escalada no aumento de casos de ansiedade e depressão  foi  a necessidade do isolamento social e a sensação da ameaça constante de morte, visto que a alta taxa de transmissão e as perdas reais de entes queridos, parentes, amigos e conhecidos vai mexendo com a saúde mental das pessoas.

Mesmo sabendo que o distanciamento social foi fundamental no período pré-vacina e mesmo com a vacinação avançando, certos protocolos ainda são necessários, o contexto de  risco e o medo de ser contaminado pelo coronavirus resultou no aumento do sentimento de  solidão, angústia, amargura e incerteza quanto à estabilidade econômica, fazendo explodir os casos de ansiedade e depressão.

Isto está gerando a necessidade da população entender que manter a saúde mental nestes tempos sombrios de pandemia não é algo que possa ser minimizado, precisando da atenção de todos, desde os profissionais de saúde, passando pelas autoridades governamentais, até chegar aos doentes e seus parentes.

 

Ansiedade e depressão: sintomas

Para enfrentar qualquer inimigo, é preciso antes conhecê-lo. Sendo assim, é dever entender quais são os principais sintomas de cada uma destas duas doenças tão comuns  que atingem  a saúde mental.

Nos casos de ansiedade, os principais sintomas seriam:

.Sensação de pânico

.Taquicardia

.Insônia

.Dificuldade de concentração

 

 Já a  depressão, se manifesta principalmente com os seguintes sintomas:

.Perda de energia

.Falta de vontade de seguir uma rotina

.Descontentamento

.Desesperança

.Apatia

É importante frisar sempre que ainda existe muito preconceito em relação às doenças mentais, notadamente no caso da depressão. Alguém que se encontra num estado depressivo não é ‘’preguiçoso’’, nem é ‘vagabundo’’. É uma pessoa doente que precisa de amparo, cuidados e tratamento médico. Este talvez seja um dos maiores problemas de enfermidades como ansiedade e depressão, pois muita gente ainda não consegue perceber o risco real que a perda da saúde mental traz. A própria família do paciente, seja por desconhecimento, ou preconceito, muitas vezes negligencia o tratamento, o que só faz piorar a situação.

Por incrível que pareça, o aumento de casos de ansiedade e depressão desde o início da pandemia, acabou de certa forma ajudando num sentido: as pessoas que enfrentam estas mazelas passaram a abordar mais diretamente  o tema, assumindo que tem um problema de saúde e buscando o tratamento e a cura. 

É bom sempre alertar que  as doenças mentais ,principalmente a depressão é uma porta aberta para o drama do suicídio. Ainda mais num contexto de pandemia, onde muita gente perdeu o pai, a mãe, filhos, parentes queridos, gerando traumas terríveis. Somando a isso a recessão e o desemprego e culminando com o isolamento social, pode ser um estopim para o indivíduo atentar contra sua própria vida. Em resumo: doenças mentais podem matar e por isso tem de ser levadas a sério, sempre.

 

Exercícios contra a depressão

As atividades físicas e desportivas  tem um papel fundamental na  manutenção da saúde, não só física mas também da saúde mental. Praticar exercícios, além do condicionamento e do aumento da força muscular, traz ainda os seguintes benefícios:

.Melhora o fluxo sanguíneo cerebral

.Aumenta a  oxigenação do cérebro

. Ajuda a  função cognitiva

.Libera serotonina e endorfina, gerando  sensação de bem-estar

.Reduz a  tensão

Quando se alia o exercício físico ao tratamento psicoterapêutico e/ou medicação, os resultados positivos aparecem, até porque ocorre  a melhora do metabolismo, auxiliando na absorção dos remédios. A prática de atividades desportivas  também impede que a pessoa se isole, visto que muitos exercícios são praticados com outras pessoas em volta, seja na academia ou mesmo ao ar livre. O bem estar que o exercício físico provoca, ajuda ainda a limpar a mente de pensamentos depressivos e negativos. Desta forma, a inclusão de algum tipo de atividade física na rotina do dia a dia, irá funcionar como um reforço terapêutico, levando esta pessoa a enfrentar a ansiedade e a depressão.

É preciso ainda alertar as famílias para que fiquem atentas às mudanças de humores dos entes próximos. Assim, ao menor sinal de alteração comportamental, ainda mais nestes tempos de pandemia, deve-se buscar ajuda dos profissionais da área de saúde aptos a tratar o problema, como psiquiatras, psicanalistas, psicólogos e psicoterapeutas

Desta forma, com acompanhamento adequado e juntando orientação, medicação quando for o caso e prática de exercícios físicos o combate à ansiedade e à depressão neste momento de pandemia terá maior chance de sucesso. Quem ganha é a saúde mental de toda a população.

Contamos com a colaboração da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) e do psicólogo Marcelo Alves dos Santos.

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