4 inimigos do sono
Saiba quais são as condições que impedem um bom sono
Por: Equipe Marcio Atalla
Um boa noite de sono é muito importante para garantir um descanso adequado ao organismo e manter a saúde física e mental.
Mas existem algumas condições que podem atrapalhar esse processo e desequilibrar o organismo.
Para descobrir quais são os 4 inimigos do sono e aprender a se precaver deles, siga lendo esta reportagem.
Os inimigos
Entre os inimigos do sono podem-se destacar 4:
.A enxaqueca
.O ronco
.A síndrome das pernas inquietas
.O horário da alimentação
“Doenças intrínsecas do sono, como o ronco, a apneia do sono e a síndrome das pernas inquietas, por exemplo, são fatores comuns na população que geram um sono ruim. E muitas vezes são condições desconhecidas ou negligenciadas”, afirma o otorrinolaringologista Paulo Reis, especialista em Medicina do Sono e coordenador científico do grupo Bonviv Brasil.
Dormir bem é importante também para evitar doenças como o mal de Alzheimer.
“Melhorar a duração e a qualidade do sono se correlaciona com uma melhor função neural e um risco reduzido de doença de Alzheimer, que tem sido associada ao sono fragmentado”, fala a endocrinologista Deborah Beranger, pós-graduada em Endocrinologia e Metabologia pela Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro (SCMRJ).
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Enxaqueca e ronco
O 1º inimigo é a enxaqueca, quem tem grande capacidade de prejudicar o sono.
“Sono e enxaqueca possuem uma relação profunda e intrincada. Isso porque os mecanismos cerebrais que controlam a dor e o sono estão interligados. O hipotálamo, estrutura responsável por regular o ciclo sono-vigília, também tem participação nas crises de enxaqueca, modulando sinais de dor e a liberação de hormônios. Já neurotransmissores como serotonina e melatonina influenciam tanto o controle do sono quanto a sensibilidade à dor”, esclarece o neurologista Tiago de Paula,da International Headache Society (IHS).
Além da falta de sono, dormir demais também pode agravar as crises.
“As dores e a ansiedade geradas pela enxaqueca causam insônia e despertares frequentes durante a noite. Além disso, durante a crise ocorrem alterações químicas no cérebro,quebrando o padrão normal do sono e prejudicando a recuperação”, aponta o neurologista.
Procurar orientação médica é o primeiro passo para o tratamento do problema.
“O controle eficaz passa por mudanças no estilo de vida somadas às terapias de primeira linha com eficácia comprovada, como a aplicação de toxina botulínica em pontos específicos, para reduzir a sensibilidade à dor, e o uso de medicamentos monoclonais Anti-CGRP, que bloqueiam substâncias ligadas à inflamação e transmissão da dor. Embora não tenha cura, a enxaqueca pode ser controlada com eficácia’’, comenta o dr. Tiago.
O 2º inimigo é o ronco, que indica que algo não vai bem com a respiração durante o sono.
‘’O ronco é como ‘soprar por um canudo amassado’: o som vem do esforço que o ar faz para passar por uma via aérea mais estreita’’, diz o otorrinolaringologista Paulo Reis.
Esse estreitamento pode acontecer por várias razões, tais como:
.Excesso de peso
.A posição em que se dorme
.Rinite
.Desvio de septo
.Álcool
.Fumo
O ronco pode ainda ocorrer em conjunto com a apneia do sono, que faz a pessoa parar de respirar várias vezes enquanto dorme à noite.
“Quando isso acontece, o sono se fragmenta e o corpo deixa de descansar de verdade. A oxigenação cai e o paciente pode acordar cansado, irritado e até sonolento durante o dia. Em longo prazo, aumenta o risco de hipertensão, infarto e AVC’’, alerta o otorrinolaringologista.
O tratamento depende de um diagnóstico correto.
“O primeiro passo é procurar um especialista em sono. Só ele vai conseguir identificar se o ronco é causado por uma obstrução nasal, por hábitos, por alterações anatômicas ou pela apneia’’, indica o dr. Paulo.
E prossegue o especialista:
‘’Muitas vezes é indicado o exame de polissonografia, que registra a respiração, oxigenação e ritmo cardíaco durante o sono. É como um mapa detalhado da noite do paciente, mostra o que está acontecendo de verdade enquanto ele dorme. Hoje esse exame pode ser feito até em casa, o que facilita muito e torna os resultados mais próximos da realidade”.
Em casos menos graves, já ocorrem melhoras com algumas mudanças de hábitos, tais como:
.Dormir de lado
.Perder peso
.Não fumar
.Evitar bebida alcoólica à noite
‘’O álcool relaxa a musculatura da garganta e faz o ronco ficar ainda mais intenso”, alerta o dr. Paulo.
Nos casos mais graves, podem ser indicados:
.Exercícios para a musculatura da língua e da garganta
.Aparelhos personalizados
.Cirurgias
Outra possibilidade para enfrentar o problema é o CPAP, sigla de Continuous Positive Airway Pressure (Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas) equipamento que sopra um fluxo contínuo de ar para manter as vias aéreas abertas.
“O CPAP é o padrão-ouro no tratamento da apneia. Funciona muito bem e muda completamente a qualidade de vida do paciente”, garante o dr. Paulo Reis.
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SPI e alimentação
O 3º inimigo é a chamada síndrome das pernas inquietas (SPI).
“Nessa condição, o paciente não consegue parar de mexer as pernas e acaba movendo involuntariamente. Normalmente esse movimento ocorre principalmente quando a pessoa está dormindo, atrapalhando a qualidade do sono. Ela fica agitada a noite inteira mexendo as pernas e não entra em sono profundo”, informa a cirurgiã vascular Aline Lamaita, da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV).
E acrescenta a médica:
“Como afeta a boa qualidade do sono, o paciente tende a ficar cansado durante o dia’’.
Inicialmente é preciso investigar se a manifestação da SPI no paciente envolve certas condições, como:
.Deficiência de ferro
.Diabetes
.Artrite
.Uso de antidepressivos
‘’O diagnóstico adequado e o tratamento destas condições podem aliviar os sintomas da síndrome. Mas, ainda assim, há pacientes que persistem com o distúrbio de movimento mesmo após o tratamento das condições relacionadas”, comenta a dra. Aline.
Algumas medidas podem ajudar a aliviar os sintomas, como por exemplo:
.Banho quente
.Massagens nas pernas
.Aplicação de calor
.Bolsa de gelo
.Analgésicos
.Atividade física
.Não consumir cafeína
“Quando essas medidas não são suficientes, a SPI pode ser tratada com medicamentos que aumentam dopamina no cérebro, drogas que mexem nos canais de cálcio, opioides (que podem causar vício se usados em grandes quantidades) e benzodiazepinas (categoria que engloba alguns relaxantes musculares e remédios para dormir)’’, afirma a cirurgiã vascular.
O 4º inimigo do sono é uma alimentação em horários inadequados.
‘’ O horário que você come pode bagunçar seu relógio biológico e piorar o sono’’, explica a nutróloga Marcella Garcez, diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).
Neste caso, podem aparecer sintomas como:
.Dificuldade para dormir
.Exaustão
.Problemas estomacais
Dependendo do horário em que se faz uma refeição, o metabolismo do fígado pode ser acelerado.
“Então, fica fácil entender que se você fizer isso no meio da noite, o fígado estará recebendo sinais contraditórios do cérebro, que está dizendo para descansar. Como resultado, quando o fígado começa a processar a comida da meia-noite, ele o fará com menos eficiência do que teria feito após uma refeição diurna. Isso também prejudica o sono”, diz a endocrinologista Deborah Beranger.
Para evitar ou diminuir esses desconfortos, o recomendado é que a última refeição do dia seja feita pelo menos 2h antes de dormir.
“Substâncias estimulantes como a cafeína e outras podem interferir no sono, pois aumentam o estado de alerta, por isso devem ser evitadas. Alimentos que contêm substâncias que promovem relaxamento podem contribuir para uma melhor qualidade do sono, como os alimentos ricos em triptofano, magnésio e vitaminas do complexo B. Evite também refeições muito pesadas e a ingestão excessiva de líquido que pode causar interrupções frequentes para ir ao banheiro”, conclui a médica nutróloga.
Contamos com a colaboração da Holding Comunicações e dos médicos:
Dr.Paulo Reis/Otorrinolaringologista
Dra. Deborah Beranger/Endocrinologista
Dr. Tiago de Paula/ Neurologista
Dra. Aline Lamaita/ Cirurgiã Vascular
Dra.Marcella Garcez/Nutróloga
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