Grávida precisa comer por dois?
Saiba se a gestante tem mesmo que dobrar o consumo calórico
Por: Equipe Marcio Atalla
Quase todo mundo já deve ter ouvido aquela famosa frase: ‘’ grávida tem de comer por dois!’’.
Mas será que isso corresponde mesmo à realidade das necessidades calóricas de uma gestante?
Para saber a resposta, não deixe de ler essa reportagem até o final!
O que diz a medicina
Quando se fala que a grávida precisa comer por ela e pelo bebê, geralmente isso está associado a uma ideia de que é preciso um aumento calórico em dobro para ‘’formar os órgãos’’ da criança que será gerada.
Mas na verdade não existe qualquer justificativa científica para isso.
“O que deve ser observado é o ganho de peso adequado, calculado a partir do peso pré-gestacional, ou seja, aferido antes da gravidez. Quando isso não é possível, recomenda-se considerar o peso até 45 dias do primeiro trimestre de gestação e compará-lo com a evolução ao longo dos meses. Mas é necessário ter cautela com o aumento calórico, que deve ser bem orientado”, afirma o ginecologista e obstetra Nélio Veiga Júnior, Mestre e Doutor em Tocoginecologia pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (FCM/UNICAMP).
Também é bastante difícil definir uma dica dietética única e ideal para todo o período da gestação.
‘’Cada uma das fases apresenta necessidades específicas e ainda devem ser levadas em conta as características individuais de cada mãe e seu concepto. Um bom aporte proteico e calórico seria suficiente para que uma gestação se desenvolvesse de forma apropriada, mas os conceitos atuais valorizam a importância da ingestão adequada de micronutrientes para a saúde presente e também futura dos bebês”, esclarece a nutróloga Marcella Garcez, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).
Veja também:
https://marcioatalla.com.br/nutricao/desejo-de-gravida/
O aumento de calorias
De qualquer forma, mesmo não sendo o dobro, é natural que ocorra um aumento do consumo calórico neste período.
‘’É esperado um acréscimo diário de cerca de 300 kcal na dieta da gestante, através de uma alimentação que deve fornecer a quantidade necessária de macro e micronutrientes à saúde da mãe e de seu filho. Porém existem vários fatores de ordem física e emocional que estimulam o consumo alimentar durante todo o período gestacional”, fala a nutróloga.
Mas para isso, é preciso que a dieta seja bem calculada e orientada.
“O ganho de peso é obviamente esperado na gestação, mas ele varia de acordo com o estado nutricional da gestante antes de engravidar. Mulheres com baixo peso, eutróficas, com sobrepeso ou obesidade devem seguir faixas diferentes de aumento ponderal. Mas em nenhum cenário é indicado dobrar a quantidade de comida”, aponta o ginecologista e obstetra.
De acordo com critérios médicos internacionais, o ganho calórico para as gestantes deve ser:
.Mulheres com baixo peso: 12,5 kg a 18 kg
.Mulheres eutróficas (no peso adequado):11,5 kg a 16 kg
.Mulheres com sobrepeso: 7 kg a 11,5 kg
.Mulheres obesas: 5 kg a 9 kg
“Esse controle é fundamental para preservar a saúde da mãe e do bebê”, acrescenta o dr.Nélio.
Já o excesso de ganho de peso durante a gravidez pode estar associado a fatores como:
.Diabetes gestacional
.Hipertensão
.Parto cesáreo
.Risco aumentado de obesidade infantil
“Por outro lado, dietas restritivas e ganho insuficiente podem comprometer o desenvolvimento fetal, aumentando as chances de parto prematuro e baixo peso ao nascer”, alerta o médico.
E as mulheres com o diabetes gestacional ou pré-eclâmpsia necessitam de acompanhamento nutricional individualizado.
‘’Nos casos de diabetes gestacional, a dieta deve priorizar alimentos com baixo índice glicêmico, fracionar carboidratos ao longo do dia, evitar picos glicêmicos e manter o ganho de peso adequado. Reforçamos a importância da terapia nutricional como primeira linha de tratamento”, recomenda o dr. Nélio Veiga Junior.
Outra questão muito importante é que a demanda energética não aumenta de forma igual ao longo da gestação.
“No primeiro trimestre, o gasto calórico adicional é praticamente insignificante. Já no segundo trimestre, estima-se uma necessidade média de 340 kcal extras por dia, enquanto no terceiro o acréscimo é de cerca de 450 kcal, valores equivalentes a um lanche saudável, como um iogurte com frutas e aveia”, comenta o especialista.
Leia ainda:
https://marcioatalla.com.br/vida-e-saude/tenha-uma-gestacao-tranquila/
A qualidade do que se come
Uma questão que se deve destacar, é que mais importante que aumentar o consumo calórico de acordo com as necessidades das grávidas, é também importante ter atenção com a qualidade do que é ingerido.
“O aporte de nutrientes adequado é fundamental em todas as fases da vida, especialmente nos períodos de pré-concepção, gestação e lactação. A literatura científica tem apontado que uma boa nutrição nessas fases está associada não apenas ao desenvolvimento de uma gestação saudável, mas também à prevenção de deficiências de nutrientes importantes para a saúde da mulher”, explica a dra. Marcella Garcez.
É indicada uma alimentação equilibrada, principalmente apostando no consumo de:
.Proteínas magras
.Carboidratos complexos
.Gorduras boas
.Beber bastante água
‘’Lembrando ainda de higienizar com muito cuidado os alimentos que serão consumidos crus como frutas e vegetais, para evitar a infestação por patógenos, que tem riscos aumentados nesta fase da vida’’, recomenda a nutróloga.
Já entre os alimentos que devem ser consumidos com moderação ou evitados totalmente pelas gestantes, estão:
.Açúcar
.Carboidratos farináceos e refinados
.Gorduras trans
.Frituras de imersão
.Sal em excesso
.Processados e ultraprocessados (como salgadinhos de pacote e biscoitos recheados)
.Refrigerantes
“Assim, a regra de ouro para a gestante não é aumentar indiscriminadamente a quantidade de alimentos, mas manter uma dieta equilibrada, variada e ajustada às necessidades. O acompanhamento com equipe de saúde é essencial para que o ganho de peso siga as recomendações, evitando tanto os riscos do excesso quanto os da restrição’’, diz o dr. Nélio.
E o médico conclui com uma dica importante:
“Mais do que comer por dois, o correto é comer para dois, priorizando qualidade nutricional. A gestante precisa de macro e micronutrientes que garantam o crescimento adequado do bebê e o bem-estar da mãe”.
Contamos com a colaboração da Holding Comunicações e dos médicos:
Dr. Nélio Veiga Junior/Ginecologista e Obstetra
Dra.Marcella Garcez/Nutróloga
Confira também:
https://marcioatalla.com.br/vida-e-saude/exercicios-durante-a-gravidez-fortalecem-a-mulher/
https://marcioatalla.com.br/vida-e-saude/mae-aos-40/
https://marcioatalla.com.br/nutricao/10-alimentos-para-a-mulher/



