As doenças cardiovasculares são a principal causa de mortes no Brasil. Só o infarto agudo do miocárdio, mata quase 95 mil pessoas por ano, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia(SBC).
O infarto assusta muita gente, mas você sabe identificar quais são os sintomas?
Então para acabar com as dúvidas, não deixe de ler esta matéria até o final!
Mas afinal o que ocorre no corpo durante um infarto? Quem nos ajuda a entender melhor é a cardiologista Christina Grüne de Souza e Silva, doutora em Cardiologia pela UFRJ e diretora da Clínica de Medicina do Exercício (CLINIMEX):
‘’O infarto acontece quando uma artéria coronária, vaso responsável por levar sangue ao músculo cardíaco, sofre uma obstrução súbita, levando a uma redução do suprimento sanguíneo para uma região do coração. Na maioria das vezes, isso ocorre após a ruptura de uma placa de gordura que estava presente previamente na parede da artéria coronária, levando à formação de um coágulo’’.
E acrescenta a médica:
‘’Sem receber oxigênio e nutrientes suficientes, a região do coração irrigada por aquela artéria começa a sofrer lesão. Quanto mais tempo a circulação permanecer interrompida, maior será o dano ao músculo cardíaco’’.
Os principais fatores de risco para infarto são:
.Pressão alta
.Colesterol elevado
.Diabetes
.Tabagismo
.Obesidade
.Sedentarismo
.Estresse emocional
.Sono inadequado
.Alimentação rica em ultraprocessados
.Avanço da idade
.Histórico familiar de doença cardiovascular
‘’É importante destacar que muitos desses fatores são considerados modificáveis. Mudanças no estilo de vida, como a prática regular de atividade física e uma dieta de boa qualidade podem reduzir significativamente o risco de um evento cardíaco’’, aponta a cardiologista.
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O infarto possui sintomas bem característicos.
‘’O sintoma mais clássico é a ‘angina pectoris’ ou ‘angina do peito’, que consiste em dor ou desconforto no centro do peito, geralmente descrito como aperto, pressão, peso ou queimação. Em geral, a dor torácica é difusa, não piora ao apertar a região dolorosa e não piora com o movimento do tórax’’, orienta a dra. Christina.
E a especialista acrescenta:
‘’Além disso, a dor torácica pode irradiar para diversas regiões, como braços (direito e/ou esquerdo), ombros, pescoço, mandíbula, costas e região superior do abdome. Inclusive, quando há irradiação para a região superior do abdome, pode-se confundir com um quadro de gastrite ou má digestão’’.
Outros sintomas que podem ocorrer durante um infarto, são:
.Falta de ar
.Suor frio
.Náuseas
.Mal-estar intenso
.Sensação de morte iminente
‘’Esses sintomas podem estar presentes, tanto em associação com a dor torácica (podendo ser inclusive predominantes em relação à dor), quanto de forma isolada em um infarto’’, diz a cardiologista.
Mas atenção: nem todo infarto provoca uma dor torácica intensa.
‘’ Existem os chamados infartos silenciosos, em que os sintomas podem ser discretos ou diferentes do padrão clássico. Em alguns casos, a pessoa apresenta apenas cansaço incomum, falta de ar, náusea, desconforto abdominal ou mal-estar inespecífico, o que pode atrasar a procura por atendimento médico, o diagnóstico e o tratamento. Dessa forma, é importante a conscientização da população sobre essas apresentações menos típicas do infarto’’, alerta a médica.
Outra questão que exige atenção é que nem sempre é possível fazer essa diferenciação apenas pelos sintomas.
‘’De forma geral, dores osteomioarticulares são bem localizadas, pioram com movimentos específicos ou ao se pressionar a região dolorosa. Já o refluxo gastroesofágico geralmente está relacionado às refeições, pode piorar com a adoção da posição de decúbito (“deitar”) e pode melhorar com antiácidos. Enquanto isso, a dor do infarto tende a ser opressiva, associada ao esforço, atividade física ou ao estresse emocional e pode vir acompanhada de suor frio, falta de ar ou mal-estar’’, fala a dra. Christina Grune.
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Uma dúvida muito comum das pessoas é o que fazer, caso ela ou alguém próximo esteja sentindo algum sintoma relacionado a um possível infarto.
‘’Uma dor ou desconforto torácico que dura mais de 15 a 20 minutos, especialmente quando ocorre em repouso ou quando não melhora com a interrupção da atividade física, aumenta a suspeita de infarto e deve motivar a procura imediata por atendimento médico’’, afirma a médica.
Nestes casos é melhor levar a pessoa de carro até um hospital ou chamar uma ambulância?
‘’O ideal é acionar o serviço de emergência, para que uma equipe de atendimento pré-hospitalar possa iniciar os primeiros cuidados ainda no local, realizar eletrocardiograma, monitorizar o paciente e encaminhá-lo ao hospital mais adequado’, explica a dra. Christina.
E enquanto o socorro não chega, a atuação de quem estiver ao lado do infartado é fundamental.
‘’O recomendado é que a pessoa permaneça em repouso, em posição confortável, evitando a realização de esforço físico. Além disso, familiares ou acompanhantes podem ajudar mantendo a calma, reduzindo o estresse emocional e acionando rapidamente o serviço de emergência’’, diz a cardiologista.
Para prevenir o infarto, é importante mudar hábitos e adotar práticas mais saudáveis, tais como:
.Não fumar
.Controlar a pressão arterial
.Controlar o diabetes
.Regular o colesterol
.Praticar atividade física
.Manter o peso adequado
.Ter uma alimentação equilibrada
.Dormir bem
.Diminuir o estresse
E a dra. Christina Grune finaliza com um recado importante sobre prevenção do infarto:
‘’Algumas pessoas apresentam sintomas de alerta dias ou semanas antes do evento, como dor ou desconforto no peito aos esforços, falta de ar progressiva, ou episódios recorrentes de mal-estar. E quem já sofreu um infarto passa a ter um risco maior de novos eventos cardiovasculares. Por isso, o controle dos fatores de risco torna-se mais rigoroso’’.
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