Vida e Saúde

Tontura pode ser sinal de enxaqueca

Sintoma muitas vezes é confundido com labirintite

Você costuma ser atacado por torturas e vertigens? Estes sintomas, geralmente confundidos com outras doenças como a labirintite, na verdade podem ser sinais de outra condição: a enxaqueca vestibular.

Por isso todo dia 22 de abril é consagrado no Brasil como o Dia Nacional da Tontura, para conscientizar a população sobre os problemas ligados à enxaqueca, que atinge cerca de 30 milhões de pessoas no país, segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBCe).

 

A enxaqueca vestibular

A enxaqueca geralmente é associada com dores fortes na cabeça, mas nem todas as formas da doença apresentam estes sintomas.

 “Um exemplo notável é a enxaqueca vestibular, na qual os pacientes podem experimentar episódios de tontura e vertigem sem a presença concomitante da dor de cabeça. Muitos desses pacientes acreditam que sofrem com labirintite, com uma tontura de mareamento e isso pode atrasar o diagnóstico e o tratamento da enxaqueca vestibular”, esclarece o neurologista Tiago de Paula, especialista em cefaleia pela Escola Paulista de Medicina (EPM/UNIFESP), integrante da International Headache Society (IHS) e da Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBCe).

Estudos apontam que aproximadamente 50% das pessoas com enxaqueca apresentam tontura associada às crises. Além disso, há uma estimativa que a enxaqueca vestibular atinja 1% da população, sendo mais comum entre as mulheres. 

A enxaqueca vestibular se caracteriza por:

.Vertigens que podem durar de 5 minutos a 3 dias

.|Sensibilidade à luz 

.Sensibilidade  ao som

‘’Curiosamente, essas vertigens podem ocorrer sem a presença de dor de cabeça, o que pode dificultar o diagnóstico correto.A origem desses sintomas está relacionada a uma hipersensibilidade do cérebro a estímulos ambientais, como movimentos, luzes e sons. Durante uma crise, alterações na circulação sanguínea cerebral podem afetar o sistema vestibular, responsável pelo equilíbrio, resultando em sensações de vertigem ou instabilidade. Essa sensibilidade exacerbada pode levar a uma percepção intensificada dos movimentos, provocando tonturas e desequilíbrio”, afirma o médico.

Veja também:

https://marcioatalla.com.br/vida-e-saude/dor-de-cabeca-cefaleia-e-enxaqueca/

 

Não confunda

O diagnóstico da enxaqueca vestibular é desafiador e exige avaliação médica especializada, principalmente porque os sintomas podem ser confundidos com outras condições, como

 .A Doença de Ménière

.A labirintite

“No entanto, diferentemente da labirintite, que é uma infecção do ouvido interno e geralmente apresenta sintomas auditivos marcantes, a enxaqueca vestibular não é causada por uma doença do labirinto e tende a não alterar os exames auditivos”, diz o dr. Tiago.

E prossegue o especialista:

“A enxaqueca vestibular pode ser confundida com outros quadros, como a Doença de Ménière. Por esse motivo, é fundamental realizar uma investigação ampla e descartar outras possibilidades. O diagnóstico, porém, deve ser feito por um médico especialista, que levará em consideração, principalmente, a história clínica do paciente”.

Esse tipo de enxaqueca possui algumas características bem específicas, como por exemplo:

.Nas mulheres os sintomas podem piorar no período próximo à menstruação ou durante a perimenopausa

.Estresse, ansiedade e depressão podem provocar crises 

“A enxaqueca vestibular não se manifesta da mesma forma em todos os pacientes. No entanto, a maioria das pessoas apresenta melhora dos sintomas ao longo do tempo quando segue o tratamento corretamente e mantém mudanças no estilo de vida”, comenta o dr. Tiago.

Leia ainda:

https://marcioatalla.com.br/vida-e-saude/enxaqueca-a-inimiga-do-trabalho/

 

O tratamento

O tratamento da enxaqueca vestibular envolve o uso de medicamentos para diminuir a frequência e a intensidade das crises.

 “Os betabloqueadores, como o propranolol, e os bloqueadores dos canais de cálcio, como a flunarizina, são frequentemente utilizados no manejo da doença, assim como anticonvulsivantes, como o topiramato e o ácido valpróico’’, diz o neurologista.

E prossegue o médico:

‘’ A toxina botulínica e os anticorpos monoclonais contra o CGRP (peptídeo relacionado ao gene da calcitonina), como o galcanezumabe, têm se mostrado eficazes na redução tanto da dor da enxaqueca quanto dos sintomas vestibulares. Pacientes que não respondem a tratamentos iniciais, como propranolol ou topiramato, podem se beneficiar significativamente da toxina botulínica, com melhora nas crises de cefaleia e nos sintomas de vertigem e desequilíbrio”.

Mas os remédios não são o único caminho para o tratamento.

“Além dos medicamentos, a reabilitação vestibular é uma abordagem terapêutica complementar valiosa, que foca na melhora do equilíbrio e redução dos sintomas de vertigem. A combinação da reabilitação vestibular com o tratamento medicamentoso profilático tem mostrado resultados superiores no controle global dos sintomas da enxaqueca vestibular, proporcionando uma melhora significativa na qualidade de vida dos pacientes”, fala o dr. Tiago de Paula.

Mudanças no estilo de vida também são importantes, tais como:

.Alimentação equilibrada

.Controlar o estresse

.Dormir bem

.Praticar atividade física

 

Contamos com a colaboração da Holding Comunicações e do médico:

 Dr.Tiago de Paula/Neurologista

 

Confira também:

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