Vida e Saúde

Pensar demais é estresse!

Conheça o overthinking e como ele pode afetar sua saúde

Você já ouviu falar do overthinking? Esse problema, não muito conhecido, pode atingir a saúde mental, gerando condições como:

.Crises de estresse

.Ansiedade

.Síndrome do pânico

.Comportamento obsessivo/compulsivo

.Depressão

 

O que é e os sintomas

O overthinking é um termo em inglês que pode ser traduzido para ‘’pensar demais’’ e representa um padrão repetitivo de pensamentos negativos, ligados a situações estressantes que aconteceram no passado ou que possam vir a ocorrer no futuro.

‘’ Preocupações e planejamentos fazem parte do nosso cotidiano, nos ajudando a lidar em várias situações importantes, como por exemplo, planejar uma viagem ou resolver uma situação-problema no trabalho’’, afirma a psicóloga Andréa Machado Vianna, colaboradora do Programa Ansiedade AMBAN do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (IPQ-HC-FMUSP).

E prossegue a especialista:

‘’Mas, quando pensamentos e ações passam a nos incomodar, ou funcionalmente nos atrapalhar, estratégias de enfrentamento e mudanças de comportamento são necessárias. Pensamentos que envolvem situações que não podem ser resolvidas podem gerar ansiedade, pois criam uma pressão interna e, às vezes, externa, por uma solução’’. 

Entre os principais sintomas do overthinking estão:

.Não se consegue pensar em mais nada

.Falta de concentração

.Não se consegue relaxar

. Ansiedade constante

.Preocupação constante

.Sensação de exaustão

.Projeção de cenários ruins no futuro

.Busca por adivinhar soluções para os problemas

‘’ Podemos sentir as primeiras consequências do overthinking quando ocorrem baixa qualidade do sono, falta de concentração, isolamento social e ansiedade exacerbada. Como se fosse impossível deixar de se preocupar e pensar constantemente, sem uma tomada de ação efetiva, o que caracterizaria um agravamento do quadro’’, diz a psicóloga.

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Procastinação, insônia e ‘’brain rot’’

O excesso de tempo focado em pensamentos que parecem sem solução pode levar à procrastinação.

‘’ Pode também ocorrer overthinking em situações de procrastinação, definidas por deixar ou demorar para realizar tarefas importantes, muitas vezes buscando outras tarefas sem importância ou de simples execução, como por exemplo: deixar de entregar algum trabalho importante para “maratonar” uma série ou arrumar as gavetas do armário. E se for algo que ocorre de forma constante, deve-se observar o que está acontecendo’’, fala Andréa Machado.

E ela alerta ainda para outro problema do ‘’pensar demais’’: a insônia.

‘’ No meio da madrugada preocupações de todo tipo vem à mente gerando insônia. Talvez anotar essas preocupações e ideias num bloco de notas (nada de telas!) para resolvê-las no outro dia seja mais útil e eficaz, seguido de técnicas de relaxamento’’, comenta.

Muitos adolescentes e jovens utilizam atualmente o termo ‘’brain rot’’ (ou “apodrecimento cerebral”), que seria a sensação de perceber que o cérebro está agindo mais lentamente e viciado em estímulos rápidos, como os vídeos curtos em redes sociais. 

‘’O ‘brain rot’ pode acontecer em paralelo ao overthinking, sendo difícil precisar quem é causa e quem é consequência, como por exemplo o excesso das redes. Por gerarem resposta imediata e constante, as redes sociais criam um fluxo constante de resultados prazerosos e rápidos, o que mantem a dopamina (um neurotransmissor ligado ao prazer) aumentada, o que por sua vez, diminui a capacidade de percepção do momento presente, tendo como consequências imediatas a baixa capacidade de resolução de problemas, menor interação social e redução uso da criatividade, queixas comuns vindas de pais de adolescentes e presente na vida de muitos adultos’’, esclarece Andréa.

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O que fazer

Um passo importante na busca por uma solução é perceber o excesso do tempo gasto pensando e as consequências deste comportamento. 

‘’ Usar de técnicas de mindfulness com foco no momento presente, atenção plena e respiração profunda, pode ser um caminho para voltarmos à situação real em que estávamos envolvidos, observando os pensamentos e focando mais nos nossos sentidos, como está o ambiente, descrevendo-o diante do “ver e ouvir” naquele momento, por exemplo. Sem tentar lutar e responder a estes pensamentos, e assim, entrando no looping que nos impede de agir e aumenta ainda mais uma reação ansiosa’’, orienta a psicóloga.

E acrescenta a especialista:

‘’Uma técnica eficaz é criar planos de ação, com intervalos para pequenas recompensas, por exemplo, estabelecer uma lista de tarefas e, a cada tarefa concluída, fazer uma “pausa de recompensa” com tempo programado (por exemplo, um café ou um episódio da série favorita)’’.

Para combater o overthinking também é importante mexer com o corpo e com o cérebro.

‘’Praticar atividade física tem resultados comprovados na redução da ansiedade, e, portanto, de overthinking, melhorando o foco no presente, reduzindo as consequências da ansiedade, gerando contato social e diminuindo o tempo de telas, que é sempre muito bem-vindo. Bem como técnicas de meditação e atividades que envolvam leituras, por exemplo’’, aponta Andréa Machado.

E a psicóloga finaliza com um recado importante: quem ‘’pensa demais’’ não deve ter vergonha em buscar auxílio.

‘’Com ajuda profissional, é preciso entender a situação e verificar outras possibilidades de ação, primeiro observando alguma distorção, em seguida, entender o desconforto percebendo o que está me deixando preocupado e, enfim, agir de outra forma. É possível desenvolver habilidades para se expor a estas situações de formas diferentes e melhorar as relações com os pensamentos, principalmente em situações que são significativas para a pessoa’’.

 

Contamos com a colaboração de Andréa Machado Vianna/Psicóloga

 

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