Existem muitas dietas por aí prometendo a palavra mágica para muita gente: ‘’emagrecimento.
E uma das que têm conquistado muitos adeptos é a chamada dieta carnívora, que se caracteriza por ser rica em:
.Proteínas de origem animal (carne vermelha, aves, peixes)
.Ovos
.Laticínios
Essa dieta também exclui do dia a dia alimentos como:
.Frutas
.Hortaliças
.Grãos
.Ultraprocessados
Mas uma alimentação deste tipo pode acabar sendo um risco para a saúde.
Quer saber mais? Então siga lendo esta reportagem que preparamos para você.
Os idealizadores e defensores da dieta carnívora costumam afirmar que ela tem inspiração na alimentação dos humanos que viviam da caça e do consumo majoritário de carne animal no período Paleolítico (cerca de 10 mil anos atrás). Mas o mundo de hoje é bem diferente.
“As Nações Unidas estimam que um terço das emissões globais de gases de efeito estufa se originam do setor alimentício, sendo o consumo de carne o maior contribuinte individual”, afirma a nutróloga Marcella Garcez, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).
E prossegue a médica:
“A crescente visibilidade da dieta carnívora nas mídias sociais demonstra uma reação negativa aos apelos generalizados por mudanças alimentares. É o negacionismo dietético, uma rejeição à sustentabilidade, aos conselhos de saúde pública e às ideias predominantes sobre o que é uma alimentação responsável”.
O fato é que aceitar ingerir grandes quantidades de gordura saturada das carnes e cortar vegetais, pode se tornar um problema.
“Pratos enormes só com carne, pessoas comendo barra de manteiga, costelas empilhadas sobre tábuas de madeira… A dieta carnívora leva a dieta ‘low-carb’ ao extremo, eliminando todos os alimentos vegetais em favor de carne, ovos e laticínios. Alguns adeptos vão além, vivendo quase exclusivamente de carne vermelha’’, comenta a dra. Marcella.
E acrescenta a médica:
‘’ Esse tipo de conteúdo engana as pessoas, prometendo emagrecimento rápido e melhora de marcadores metabólicos, mas não é o que acontece na prática. Esse tipo de dieta altamente restritiva exclui fibras, vitaminas e compostos bioativos presentes nos alimentos vegetais e que são altamente benéficos para o organismo”.
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As pessoas que praticam a dieta carnívora relatam algumas alterações no corpo, com a cintura ficando mais definida e também no processo de digestão, tais como:
.Menos inchaço
.Menos formação de gases
Mas será que isso corresponde à realidade?
‘’Essas alegações de saúde são apenas especulativas. Quando os carboidratos desaparecem, o corpo recorre às reservas de glicogênio, cadeias de glicose armazenadas nos músculos e no fígado, para obter energia. À medida que essas reservas são queimadas, elas liberam água, levando à rápida perda de peso, composta principalmente de água, não de gordura. Logo depois, o corpo entra em cetose, um estado metabólico em que a gordura se torna a principal fonte de energia. A cetose também suprime os hormônios da fome e aumenta os sinais de saciedade, o que ajuda a explicar por que muitos adeptos da dieta carnívora relatam sentir-se mais leves, magros e com menos fome nas primeiras semanas”, fala a nutróloga.
E a especialista continua:
“Mas isso é resultado de um déficit calórico, não do consumo exclusivo de carne. Uma dieta bem estruturada, variada e o mais natural possível, traria esse benefício sem os efeitos colaterais da dieta carnívora. No final das contas, o que esse tipo de dieta favorece é a constipação e o aumento do risco do câncer colorretal. A remoção de fibras por longos períodos é altamente preocupante, pois elas são essenciais para a saúde a longo prazo’’.
As fibras contribuem para:
.Prevenir doenças cardíacas
.Diminuir a incidência do diabetes
.Reduzir o risco de câncer
.Aumentar a longevidade
.Melhorar a cognição
“Remover completamente as fibras elimina uma das melhores defesas que temos para o corpo e a mente”, alerta a dra. Marcella Garcez.
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É preciso ter equilíbrio
Dietas muito restritivas podem ser um risco para a saúde, pois existem várias evidências científicas de que é importante ter equilíbrio na alimentação.
Quando frutas, vegetais e grãos são cortados da dieta, o corpo fica carente de nutrientes essenciais como:
.Vitamina C
.Antioxidantes
.Fitonutrientes
‘’Em contraponto, a alta ingestão de proteínas em dietas carnívoras também sobrecarrega o fígado e os rins. O fígado precisa trabalhar mais para converter o excesso de nitrogênio das proteínas em ureia, que os rins então filtram. Esse processo está associado a um risco aumentado de cálculos renais e estresse a longo prazo nos órgãos”, aponta a especialista.
A falta de vegetais e fibras, pode ainda afetar o cérebro, gerando:
.Alterações no humor
.Maior risco de depressão
E a dieta carnívora também pode afetar o coração.
“Dietas centradas em carnes vermelhas, ricas em gorduras saturadas e colesterol têm sido associadas a níveis elevados de colesterol LDL, um fator de risco fundamental para doenças cardiovasculares”, diz a nutróloga.
E prossegue a médica:
“Nesse ponto, a ausência de fibras também é um problema, pois ela elimina uma das ferramentas naturais do corpo para reduzir o LDL, já que a fibra solúvel se liga ao colesterol no intestino e ajuda a removê-lo da circulação”.
Quem procura a dieta carnívora busca geralmente soluções rápidas. E sobre isso, a dra. Marcella conclui com um recado importante:
‘’A curto prazo, as melhoras são explicadas porque as pessoas que consumiam grandes quantidades de alimentos ultraprocessados deixam de ter esse tipo de padrão. Mas a trajetória de saúde a longo prazo permanece incerta. É importante ficar claro: retirar alimentos ultraprocessados é importante, mas os vegetais não devem ser excluídos. Os riscos a longo prazo aumentam com essa exclusão”.
Contamos com a participação da Holding Comunicações e da médica: Dra.Marcella Garcez/ Nutróloga
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